Copa América.

Acabou mais uma edição da Copa América, com o Brasil a revalidar o título de campeão.
Esta edição fica marcada pelo elevado número de golos marcados, com destaque para as goleadas do Brasil ao Chile por 6-1, e do México ao Paraguai por 6-0.
Ficam ainda na memória os golos de Messi e Júlio Baptista, dois "golaços".
Negativamente tenho que assinalar o desrespeito de alguns jogadores brasileiros, que rejeitaram jogar pela selecção para gozaram férias. É o caso de Ronaldinho e Kaká, que perderam a oportunidade de juntarem mais um título ás suas carreiras.
Também Dunga merece ser destacado pela força e confiança que transmitiu à sua equipa, mesmo depois da derrota na partida inaugural (2-0, frente ao México), que lhe valereu duras críticas ao seu trabalho.
Por fim, deixo aqui a minha escolha para melhor onze da Copa América:

GR - Doni (Brasil)
DD - Carlos Diogo (Uruguai)
DE - Heinze (Argentina)
DC - Alex (Brasil)
DC - Rafael Marquez (México)
MD - Zanetti (Argentina)
ME - Guardado (México)
MC - Josué (Brasil)
MC - Messi (Argentina)
AV - Robinho (Brasil)
AV - Cabañas (Paraguai)

T - Dunga (Brasil)

Um dia mau.

Hoje foi um dia mau para o desporto nacional. Estivemos presentes nas decisões, mas desiludimos no momento da verdade.
Pela tarde, realizou-se a final da Liga Europeia de voleibol, no Pavilhão Arena, em Portimão. Portugal defrontava a Espanha, num jogo que todos esperávamos de glória. Ainda assim, e mesmo jogando em casa, Portugal não foi feliz, perdendo diante a Espanha por 3-2 em "sets", com parciais de 21-25, 25-18, 25-22, 19-25 e 20-18. Não se pode considerar desprestigiante ou frustrante a participação portuguesa na edição deste ano da Liga Europeia da modalidade. Portugal não é de facto um país com tradições no voleibol, sendo o segundo lugar obtido neste torneio a sua melhor classificação de sempre. Não sendo, portanto, uma má classificação, a glória poderia ser outra, se Portugal conseguísse de facto vencer a partida, e conquistado a Liga Europeia de voleibol. Ainda assim, fica demonstrada a evolução da modalidade no nosso país, tornando-se cada vez mais num caso sério, no panorama desportivo nacional.
Se a desanimo com a final da Liga Europeia de voleibol era contido, aquilo que se assistiu horas mais tarde, desde o Canadá, foi no mínimo mau demais para ser verdade.
O cenário de qualificação ia-se desenhando, sendo esta para muitos uma questão de minutos até a frágil selecção gambiana cair aos pés da nossa selecção. Tudo corria bem, quando o Feliciano Condesso aos 20 minutos fez o 1-0 para a selecção nacional. Depois veio a "tremideira" já habitual, e mesmo antes do intervalo chegou o empate, através da marcação de uma grande penalidade, transformada em golo por Jallow.
Chega a segunda parte, e com ela a expulsão de um jogador gambiano. Parecia ser a sina de que a selecção africana estava prestes a se desmoronar e permitir que Portugal arranca-se para a vitória. Erro total. A equipa portuguesa "acomodou-se" à vantagem numérica, e viu-se em desvantagem à passagem do minuto 68, obra de Mansally. Até ao fim do jogo assistiu-se ao desespero dos jogadores portugueses, que se traduziu num espectáculo triste para todos os que assistiram à partida.
O treinador José Couceiro até poderá dizer que o objectivo foi cumprido, já que mesmo assim Portugal garantiu a qualificação para a fase seguinte. Ainda assim ninguém apagará de memória o mau jogo de Portugal, traduzido numa derrota humilhante frente a uma selecção longe de ser das mais fortes a nível mundial.
Se provas faltavam, penso que este jogo foi ilucidativo quanto á pouca capacidade de José Couceiro para orientar os destinos das nossas selecções ( como aliás já aqui tinha referido anteriormente ).
Dias melhores virão para o nosso desporto...



ps: apesar de estar desenquadrado com o tema principal do comentário, não podia deixar passar em claro a vitória de Roger Federer no torneio de Wimbledon. A quinta (!) consecutiva, igualando deste modo Bjorn Borg. Nunca é demais elogiar quem de facto o merece, e Roger Federer mais que todos merece a nossa admiração. Que continue assim por muitos e bons anos!

Roger Federer

Falar em Roger Federer é falar em classe, talento, perícia, espectáculo.
A fama deste suíço chega a todo o mundo, de variadíssimas formas. Através da publicidade, das acções de caridade e, sobretudo, dos resultados obtidos pelo tenista. Além disso, Federer é um senhor, nas vitórias e nas derrotas.
Ao tenista que apenas lhe falta conquistar o torneio de Roland Garros sobra humildade e respeito pelos adversários e intervenientes no jogo, o que faz dele um verdadeiro "gentelman" do ténis. Que o diga Gastão Elias, que tem o privilégio de treinar com o suíço todos os dias.
Ao já considerado melhor jogador de todos os tempos de ténis, uma vénia.

Mérito?

Portugal acaba mais uma participação num campeonato da europa, na categoria de sub-21, de forma desastrosa. Como tem sido habitual nos últimos anos, a selecção lusa não conseguiu novamente atingir os objectivos mínimos exigiveis, no caso o apuramento para os Jogos Olímpicos de Pequim, a realizarem-se no próximo ano.
Depois do desastre que foi o Euro 2006, realizado em Portugal, pensava-se que a Federação Portuguesa de Futebol iria tomar medidas fortes, eficazes e sobretudo sensatas.
A demissão do professor Agostinho Oliveira era já esperada. Os resultados ditam as regras, e como a classificação final foi desastrosa, a demissão foi por muitos considerada "natural".
A especulação em redor da nomeação do novo selecionador sub-21 foi muita. Muitos nomes surgiram, uns mais óbvios que outros, mas todos ele com um passado rico que "falava" por eles. Começam aqui os rumores de que José Couceiro, na altura ainda treinador do Belenenses, estaria numa posição bastante confortável para conseguir o cargo. Para ser franco, praticamente ignorei essas notícias, pensando tratarem-se apenas de meras especulações sem qualquer tipo de fundamento.
Qual o meu espanto quando, meses mais tarde, é anunciado como novo selecionador sub-21 português José Couceiro. E questionei-me a mim mesmo:" Com que mérito? Qual o maior marco da carreira deste treinador? Que currículo terá apresentado para ser escolhido como selecionador nacional de sub-21?". Fui então á procura de respostas.
José Couceiro iniciou a sua carreira de treinador principal de futebol no Alverca, tendo antes prestado serviços no Sporting Clube Portugal como dirigente da SAD.
Na equipa ribatejana, conseguiu o feito de subir de divisão, atingindo deste modo a, na altura, Superliga. Parecia ser o início de uma carreira de sucesso para José Couceiro. O que é certo é que este aparente sucesso foi efémero. Na época seguinte, o técnico desceu o mesmo Alverca que tinha subido na época transacta. Nada de escandaloso, é certo, mas um claro exemplo do primeiro desaire da carreira. De seguida, seguiu até Setubal, onde orientou o Vitória local. Aqui, em meia época consegue deixar o clube sadino numa posição tranquila na tabela, tendo o seu trabalho sido extremamente elogiado pela crítica. Sai a meio da época, ingressando no Futebol Clube do Porto. Parecia ser a afirmação de José Couceiro no futebol nacional, visto ter conseguido o feito de ter chegado a um dos maiores clubes nacionais em apenas duas épocas e meia de carreira. O que é certo é que, feitas as contas finais, o título fugiu para a Luz e a Taça de Portugal para o Vitória de Setubal, equipa que orientou na primeira metade dessa época. Sai, dando o seu lugar ao holandês Co Adreanse. Na época seguinte aceita o convite do Belenenses, substituindo Augusto Inácio. O resto de campeonato não corre como esperado, e o histórico Belenenses cai para a Liga de Honra. Foram tempos atribulados os que se seguiram a este acontecimento, estando o nome de José Couceiro associado ao mesmo. A demissão foi inevitável. Apesar de a equipa de Belém ter conseguido fugir á despromoção na secretaria, fica na memória a paupérrima imagem dada pela mesma nessa época.
Depois de tudo isto, parecia óbvio que José Couceiro, depois de duas descidas e de um falhanço no Futebol Clube do Porto, seria para qualquer equipa uma aposta arriscada. Só que nem tudo o que parece realmente é, e como "recompensa" das "brilhantes" prestações anteriores, José Couceiro é convidado para dirigir, não só a selecção sub-21 portuguesa, como também a selecção sub-20, que inicia neste mês de Julho a sua participação no campeonato do mundo da categoria. A responsabilidade era enorme, e o seleccionador Couceiro sempre a aceitou.
Desportivamente, a qualificação foi como toda a gente sabe sofrida, mas conseguida. O campeonato da Europa, em si, foi desastroso.
O que está mal? O que pode ser mudado? É esta a estratégia mais apropriada a seguir?
Na realidade sou um defensor da continuidade de um trabalho, ou seja, ser iniciado e concluido pela mesma pessoa. Como tal não ponho em causa o facto de ser José Couceiro a dirigir a selecção sub-20 no Canadá. O problema é que a paciência está a esgotar-se e mais um desaire pode ser fatal.
Também o processo de escolha de um seleccionador deveria, na minha opinião, ser baseado em algo mais concreto, como trabalhos anteriores com jovens, número de títulos obtidos, entre outros. Se tal acontece-se, nunca o senhor José Couceiro seria eleito para este cargo. É que com a actual forma de eleição, qualquer outro treinador pode reivindicar uma oportunidade. Se compararmos o currículo de José Couceiro com o de, por exemplo, Jorge Jesus, Jaime Pacheco ou Nelo Vingada, vemos que os últimos apresentam carreiras mais recheadas de sucessos do que a de José Couceiro.
Resumindo, José Couceiro conta no seu currículo uma subida de divisão. Não sendo desprestigiante, é manifestamente pouco para um seleccionador nacional. E se a isto acrescentarmos as campanhas menos conseguidas ao serviço do Futebol Clube do Porto e Belenenses, constatamos que sucesso de José Couceiro no futebol português, enquanto treinador principal, é extremamente diminuto. A prestação no campeonato da europa de sub-21 é apenas mais um exemplo.
Como tal, qual o nível de mérito de José Couceiro nesta nomeação? Na minha opinião é diminuto, mas lá está, é apenas uma opinião..

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