A última jornada de qualificação trouxe consigo a maior surpresa da fase de grupos: a eliminação da Inglaterra.A selecção britânica viu-se afastada da fase final do Campeonato da Europa, depois de perder em pleno Wembley, ante à Croácia por 2-3. Mesmo sabendo que o empate seria suficiente, a Inglaterra não conseguiu carimbar a qualificação para o Euro 2008.
Este afastamento constitui uma enorme desilusão a vários níveis. Em primeiro lugar a nível económico para os países acolhedores da prova ( Áustria e Suíça ). Se é certo que os adeptos ingleses são conhecidos pelos seus excessos e comportamentos pouco éticos, também é verdade que são estes que mais investem ao nível da restauração, da hotelaria e do lazer. E Portugal, aquando do Euro 2004, sentiu esta realidade. Também a nível desportivo este falhanço inglês acarreta consigo a impossibilidade de vermos em acção neste Campeonato de Europa jogadores como Steven Gerrard, Frank Lampard, John Terry ou Wayne Rooney. E este falhanço começa no próprio seleccionador. Steve McClaren, ex-adjunto de Sven-Goran Eriksson na selecção inglesa e ex-treinador do Middlesbrough, nunca conseguiu convencer a nação inglesa. A fase de qualificação foi penosa, com destaque para as duas derrotas com a Croácia (2-0 na Croácia e 2-3 em Wembley ) e a derrota perante a Rússia ( 2-1 na Rússia ). Como consequência da não qualificação para o Euro 2008, Steve McClaren foi demitido, como seria de esperar. Outro factor que pode explicar este falhanço inglês é sem dúvida a pouca aposta dos grandes clubes ingleses em jogadores nacionais. Se virmos por exemplo a equipa do Arsenal, actual líder do campeonato inglês, constatamos que na "equipa-tipo" não cabe nenhum inglês: Almunia ( Espanhol ), Sagna ( Francês ), Touré ( Costa-Marfinense ), Gallas ( Francês ), Clichy ( Francês ), Fabregas ( Espanhol ), Hleb ( Bielorrusso ), Rosicky ( Checo ), Flamini ( Francês ), Adebayor ( Togolês ) e Van Persie ( Holandês ). E mesmo as outras equipas poderosas inglesas pouco apostam em jogadores ingleses: Manchester United: Rio Ferdinand, Hargreaves, Carrick e Rooney; Chelsea: John Terry, Ashley Cole, Joe Cole e Shawn Wright Phillips; Liverpool: Carragher, Steven Gerrard, Pennant e Peter Crouch*. Este foi também um aspecto defendido por Michelle Platini, presidente da UEFA.
Penso que no final de contas é o futebol que vai perder com a ausência da selecção inglesa na fase final do Euro 2008. Ainda assim este falhanço pode ser uma chamada de atenção a todas as selecções poderosas do mundo, já que o futebol hoje é tão competitivo que a diferença entre as equipas se vai diluindo em pequenos pormenores apenas.
Por fim, considero uma desilusão também o comportamento do seleccionador português, Luiz Felipe Scolari, no final do jogo contra a Finlândia. Mesmo quando consegue atingir os objectivos propostos, o técnico da selecção nacional não consegue manter uma postura condigna com o seu posto. O que se passou na conferência de imprensa no Estádio do Dragão foi lamentável, e quer o posto que Scolari ocupa, quer as suas competências, quer o seu ordenado "obrigavam" o seleccionador nacional a ficar até ao fim da conferência de imprensa e responder de forma profissional às perguntas dos jornalistas. Mais preocupante do que isto é a passividade com que o povo português reage a todas estas atitudes do seleccionador nacional. Mesmo depois de ter esmurrado um jogador e de tratar os jornalistas de forma agressiva e altiva, Scolari continua a ser visto como um "deus" pelos portugueses. É certo que ninguém conseguiu levar a selecção nacional tão longe como Scolari levou. Ainda assim convém realçar que Scolari nada ganhou com Portugal, e a principal razão para a selecção nacional estar, nos últimos anos, presente nas grandes competições europeias e mundiais deve-se sobretudo ás magnificas condições que os clubes e a federação oferecem aos seus jovens e profissionais, dando origem a jogadores da qualidade de Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma ou Ricardo Carvalho. Ninguém ganha sozinho, e não será Scolari que o conseguirá também.
*Nota: Jogadores habitualmente utilizados. Não me refiro à totalidade dos jogadores ingleses nos planteis.