"Adiós" Camacho

A segunda passagem de José António Camacho acabou esta noite, depois da equipa do Benfica ter empatado em casa com o "lanterna vermelha", União de Leiria, a duas bolas.
O espanhol chegou à Luz a 20 de Agosto de 2007, depois da saída de Fernando Santos, tendo apenas conseguído 19 vitórias em 39 jogos oficiais. Muito pouco.
O "engenheiro" Fernando Santos saiu do Benfica depois de um final de época atribulado, tendo este factor condicionado de forma activa a preparação desta época. Um empate contra o Leixões bastou para que Luís Filipe Vieira demiti-se Fernando Santos e contrata-se para o seu lugar José António Camacho, um sonho já antigo. A amizade entre o presidente do Benfica e o treinador espanhol permitiu a chegada de Camacho à Luz, sendo este regresso imensamente festejado pela família benfiquista.
Ainda assim, haviam vozes mais cépticas que de uma forma mais racional não viam, principalmente, na saída de Fernando Santos, e na consequente chegada de Camacho o melhor caminho a tomar pelo Benfica. O desfecho de hoje só lhes vem dar razão.
Desde o primeiro jogo feito por Camacho na Luz, frente ao Vitória de Guimarães (0-0), se percebeu a pouca sensibilidade táctica que o espanhol evidenciava para com o plantel que tinha à disposição. As escolhas por posição não foram muito consensuais. Se é verdade que muitas vezes, o espanhol foi obrigado a improvisar derivado do elevado número de lesões e castigados no plantel, outras vezes houve em que Camacho "inventou" por vontade própria. Desde colocar Nélson na esquerda da defesa, com Sepsi no banco, à constante colocação de Katsouranis no centro da defesa, tendo no banco, por exemplo, Edcarlos ou Zoro. No fundo, estava a perder um dos melhores médios da equipa, um elemento preponderante na campanha do Benfica na época passada.
Depois há a questão das constantes lesões no plantel. No futebol de alta competição não podemos atribuir apenas à "sorte" ou ao "azar" as explicações para os nossos problemas. As constantes lesões musculares no plantel benfiquista indicam um trabalho de treino mal feito, ou pelo menos não muito preciso. Estas constantes lesões não permitiram a Camacho estabilizar um "onze", o que se reflectiu nas pobres e inconstantes exibições do Benfica durante a época.
Também o discurso de Camacho não foi o mais correcto para uma equipa da grandeza do Benfica. Quem joga no Benfica sabe que tem que entrar em campo sempre "con ganas" e tem de "salir à ganar" em todos os jogos. E no fundo, isso é trabalho de balneário, no que concerne à motivação da equipa. Um treinador de uma equipa de futebol de alta competição tem de saber jogar com as emoções dos seus jogadores e do adversário. Tem de saber motivar. Tem de saber apelar à união. E isso não foi muito evidente no discurso de Camacho. Não basta atribuir ao factor "sorte" o desfecho de uma partida. Quando se perde, deve-se olhar para a derrota de forma construtiva e tentar encontrar formas de a superar de forma efectiva. E isto Camacho não mostrou enquanto esteve no Benfica.
José António Camacho dá seguimento assim a uma carreira cheia de altos e baixos. Desde os episódios fugazes em Madrid, ao fracasso na selecção espanhola, à saída hoje do Benfica, não esquecendo por certo a Taça de Portugal conquistada em 2004 pelo clube da Luz e a excelente carreira ao serviço do Espanhol de Barcelona. Ainda assim é justo afirmar que se perde uma "pessoa do futebol", um homem que já viveu muito como futebolista e treinador. Uma pessoa frontal, séria e honesta. Um homem que deu tudo o que sabia, e que podia, pelo Benfica.

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