CRUP - Reportagem escrita

Em 2006 surgia em Portalegre uma nova equipa. O desporto em questão era considerado esquisito e trazia consigo desconfiança. Imbuídos do espírito vencedor que os lobos transmitiam nessa altura, um grupo de jovens teve a ideia de criar um clube de rugby na capital do alto Alentejo. Disso mesmo nos dá conta João Vaz Pinto, co-fundador e capitão da equipa de rugby da cidade de Portalegre : " Por ligações familiares descobri o rugby. Também já tinha alguma experiência e vim trabalhar para Portalegre. Criou-se aqui um grupo porreiro que jogava rugby e então, entre amigos, achamos que haviam condições para criar um clube e começamos por aí. Estamos neste projecto já há dois anos." E assim nasceu o Clube Rugby União de Portalegre, um clube diferente criado também de uma maneira peculiar. O espírito de camaradagem é bem evidente. Os treinos esses são um divertimento para quem participa, sendo bem visíveis os sorrisos de satisfação estampados nos rostos dos atletas.
Ainda assim, a realidade do Clube Rugby União de Portalegre não conseguirá viver apenas do bom relacionamento entre os seus membros. Para crescer, o clube necessita de apoios, que podem ser de todo o tipo, desde financeiros a facilidades de transportes por exemplo. Porém, e como o presidente do clube referiu, "o nível de apoio por parte Câmara Municipal de Portalegre não é igual àquele dado ás outras modalidades". Esta realidade é encarada com naturalidade pelo próprio Francisco Barbaldo, que reconhece como meritório o apoio que a câmara dá ao clube : "O rugby usufrui do mesmo tipo de apoios que as outras modalidades dispões. Os valores esses, não os podendo especificar, são seguramente inferiores. Isto acontece porque somos dos clubes mais recentes de Portalegre, ao lado do clube de ténis, o que leva a que os apoios infelizmente não sejam os mesmos. Ainda assim compreendo a posição da câmara em nos dar menor subsidio que dá a clubes como o de futebol, que se calhar tem mais de 20 anos enquanto nós temos apenas dois. A câmara está um pouco na expectativa a ver se o clube desenvolve e tem futuro, para que tenha a certeza que não está a deitar dinheiro fora. Compreendo perfeitamente a posição da câmara."
Apesar de compreensível este menor nível de apoios camarários, denota-se também aqui um traço cultural português: a maior aposta no futebol. Mesmo em queda (última posição do Estrela de Portalegre no campeonato da Série E da III Divisão e o Portalegrense encontra-se a disputar os distritais) o futebol consegue angariar para si um maior nível de apoio. Criado em Inglaterra, o rugby apela ao sentido físico deixando a parte estética de lado. É a personificação daquilo que para a cultura anglo-saxónica é mais importante: a superação individual, a raça e o empenho. Numa civilização mais mediterrânica, a nossa cultura pede sempre algo mais belo. Do requinte de um tango, ao suave toque de calcanhar numa bola de futebol, para um habitante do sul da Europa isso é belo. E é a beleza que ele procura. E provavelmente é essa a beleza que o rugby não transmite ao portugueses, fazendo com que a procura pelo mesmo seja bastante diminuta.
Não se pense porém que tudo vai mal na modalidade. Bem pelo contrário. Com tudo o que os lobos conquistaram (admiração e respeito), a modalidade vem crescendo em Portugal. O passo seguinte será a profissionalização dos jogadores, de forma a que os mesmos possam estar totalmente concentrados em jogar rugby, aumentando por isso a sua produtividade. João Vaz Pinto aplaude este desenrolar dos acontecimentos, não esquecendo o passado : "Fomos a única selecção amadora a ir ao mundial. Logo isso faz de nós a melhor selecção amadora do mundo. Neste momento já há jogadores profissionais e caminha-se a bons passos para a profissionalização e semi-profissionalização dos jogadores em Portugal. É um passo importante para a selecção e para os clubes."
Manuel Santos pretende ir mais à frente ainda. O treinador do Clube Rugby União de Portalegre não limita a visão de profissionalização apenas ao jogadores. Para este conhecedor da modalidade o mais importante é providenciar esforços para que todos aqueles que estejam envolvidos na modalidade, sejam eles jogadores, treinadores ou árbitros se profissionalizem. O objectivo é melhorar a qualidade do rugby português, devendo este processo ser sustentado, ou seja desde as camadas mais jovens até aos seniores :" Como no futebol, os treinadores só podem estar à frente de determinadas equipas estando credenciados. Na altura tirei o curso de treinador de 2º grau que era o mais alto que havia cá. Fiz também dois ou três estágios em Espanha. Este ano estamos a começar com as escolas e já temos dois elementos nossos que foram fazer cursos. A nossa preocupação é dar o melhor treino para as crianças, porque por vezes pensa-se que uma criança é um adulto em ponto pequeno. E não é. Temos que ver que as crianças estão em fase de desenvolvimento e por isso têm de ser respeitados determinados patamares da evolução deles. Temos que ter cuidado para não estragar o desenvolvimento das crianças". Manuel Santos, também professor de Educação Física , sintetiza o que para si é realmente importante no desenvolvimento da modalidade afirmando que " a minha preocupação assim que peguei no rugby de Portalegre foi logo impor que assim que puderem quero gente a tirar cursos de árbitros e treinadores". Esta é uma visão mais estruturada do desenvolvimento da modalidade, assente em parâmetros seguros como a profissionalização dos intervenientes e a consciencialização de que tal é primordial para o crescimento do rugby, quer em Portalegre, quer a nível nacional.

O futuro é dos jovens

Costuma-se dizer que o futuro é dos jovens. O Clube Rugby União de Portalegre segue este ditado à risca. Como diz Francisco Barbaldo, o clube aposta fortemente na formação de jovens, tentando rentabilizar ao máximo os activos existentes dentro do clube: " Queremos apostar nas camadas mais jovens do clube e tentar dinamizar ao máximo as actividades ligadas ao rugby na cidade de Portalegre:". Para que tal suceda, o Francisco Barbaldo sabe que não pode "esperar sentado" que os jovens cheguem ao clube. Por isso, o clube tem já agendados alguns projectos tendo em vista mostrar a modalidade e com isso ganhar mais praticantes : " O nosso próximo projecto está agendado para meio de Fevereiro, e queremos levar o rugby ás escolas primárias e substituir as aulas de educação física por aulas de rugby. Vamos nós mais um técnico da federação e passamos ali uma manha com os miúdos todos.". Esta campanha de sensibilização que clube pretende fazer tem como objectivo mostrar o rugby ás crianças, fazendo ver que é um desporto que pode ser praticado por todos.
Actualmente a equipa de rugby da cidade de Portalegre é constituída por cerca de 60 jogadores, de diferentes faixas etárias. Francisco Barbaldo acredita que é ainda possível cativar mais gente a jogar rugby :" O rugby consegue cativar as pessoas a continuar. Repara que na época passada acabamos com cerca de 30 jogadores todos seniores, e esta época iniciamos com cerca de 60 jogadores, distribuídos desde os 9 aos 40 anos. A nossa aposta recai muito mais sobre os mais jovens.". É um aumento significativo de jogadores, tendo o clube de uma época para a outra conseguído dobrar o número de atletas nas suas fileiras.

Realidade competitiva muito limitada

Como qualquer instituição desportiva, o Clube Rugby União de Portalegre compete contra outras equipas. Ainda assim, assistimos a uma desoladora realidade quando procuramos competições a nível regional: simplesmente não existem. Esta realidade foi confirmada por Francisco Barbaldo, que ainda assim congratula-se pelo facto de ter todas as equipas do clube em competição. E se elas não existem no distrito de Portalegre a equipa não fica parada por isso. Aproveita todas as oportunidades que surgem, e participa em diversos torneios espalhados por todo o país :" Até aos 12-14 anos fazem os convívios nacionais, ou seja quando a selecção vai jogar na parte da manha os miúdos entram em convívio com os outros miúdos. É um mini-torneio. Depois, os sub-16, sub-18 e sub-20 ja estao a competir no rugby de 8, que é um campeonato nacional dividido em duas zonas: zona sul e zona norte, que depois no fim se juntam para uma final nacional. Os seniores fazem os torneios da federação e do comité de rugby de Coimbra. É o normal.".
Manuel Santos confirma esta realidade. O rugby está ainda numa fase embrionária a nível regional o que faz com que as competições ainda não existam, como acontece por exemplo com o futebol, onde existe uma divisão distrital destinada apenas a equipas dessa região. Segundo o treinador da equipa portalegrense " a nível local estamos a começar. Somos um bebé ainda.". Num tom mais critico, Manuel Santos afirma também que o rugby nesta realidade nunca conseguirá níveis de desenvolvimento notórios :" Nós aqui não temos campos para treinar sequer! Se houver mais espaços verdes e bolas aí garanto que os miúdos começam a praticar rugby. E se houver mais uma prova do nível do mundial, o rugby irá começar a entrar na cultura geral do povo português. O problema é que os principais clubes portugueses ainda continuam a pensar que o rugby é apenas um desporto universitário, porque a elite do rugby português está nas Universidade. Temos a Agronomia, o Técnico, o Direito... ". Isto, conjugado com a realidade cultural portuguesa leva Manuel Santos a afirmar que o rugby "nunca conseguirá ser o desporto de eleição em Portugal. Quando vemos miúdos na rua vemos que eles têm uma bola de futebol na mão, logo o futuro será do futebol. Esta é uma realidade difícil de inverter."

O Clube Rugby União de Portalegre continua assim a sua caminhada. Uma equipa que faz da união e espírito grupo palavras de ordem. A realidade desportiva actual não lhes é muito agradável, mas apenas o futuro dirá se este poderá vir a ser um caso de sucesso em Portalegre e em Portugal.

CRUP - Rádio

Fica aqui a reportagem feita por mim para a disciplina de Jornalismo Radiofónico. O tema foi o Clube Rugby União de Portalegre. Um clube recente, criado através da acção de um grupo de amigos e que faz da amizade um elemento decisivo. Um clube que leva a palavra desporto muito a sério.

Rugby em Portalegre - Rui Santos

Além da minha reportagem podem ainda encontrar inúmeras reportagens feitas pelos meus colegas de turma. Ouçam, porque vale a pena.

Jornalismo Desportivo em Portugal

O jornalismo desportivo não é mais do que uma especialização do jornalismo geral. Este tipo de jornalismo tem como objectivo o tratamento de temas relacionados com desporto, sejam competições, clubes, jogadores e treinadores ou instituições desportivas.
O desporto tem tido nos tempos mais próximos uma importância bastante significativa na nossa comunidade. O destaque dado ao desporto pelos media é bastante grande, e este tem tendência a aumentar. Se reparamos, de há algum tempo para cá surgiu um canal dedicado apenas e só ao desporto, a Sporttv, que já tem dois canais disponíveis, estando em estudo a abertura de mais um. É portanto visível a crescente importância do desporto na nossa cultura.

O futebol nos media


Segundo a agência de notícias “Lusa”, cerca de 88% dos programas mais vistos na RTP em 2007 eram jogos de futebol, tendo o pique de audiência sido atingido no jogo entre o Chelsea e o Futebol Clube do Porto, a contar para a Liga dos Campeões, tendo este jogo sido visto por cerca de 2,627 milhões de espectadores.
Um dos momentos mais importantes da história do desporto nacional foi a participação da selecção nacional de futebol no campeonato do mundo da modalidade, disputado na Alemanha em 2006. Durante esta competição foram superados todos os recordes de audiências televisivas. Segundo a Marktest, as notícias sobre o mundial de futebol ocuparam 40% dos jornais televisivos, tendo sido a SIC a televisão que mais notícias passou sobre o mundial de futebol, com um total 148 notícias, que tiveram uma duração total de 8 horas e 47 minutos, que corresponderam a 43,3% de todas as noticias veiculadas durante a realização do Mundial de futebol.
O futebol sobrepõe-se assim de forma clara às outras modalidades, sendo este mediatismo exacerbado estendido a todo o ano. A focagem a outro tipo de desportos, como o rugby ou o judo, apenas acontece quando estas modalidades estão em alta. Já o futebol, esse vende todo o ano, seja pelos bons como pelos maus motivos. Um interessado pelo futebol sente-se motivado a ver televisão, a ler uma notícia ou a ouvir na rádio uma qualquer notícia relacionada com o seu clube ou com a selecção nacional. Portugal é um país com uma cultura de futebol profundamente enraizada. Desde Eusébio a Cristiano Ronaldo, passando por Luís Figo e Rui Costa. Todas estas são figuras nacionais, rapidamente reconhecidos pela maioria da população portuguesa.
A nível clubístico, assiste-se nos media portugueses a uma estratificação clara em relação ao destaque dado aos diferentes clubes. Os denominados “três grandes” (Futebol Clube do Porto, Sporting Clube de Portugal e Sport Lisboa e Benfica) têm lugar cativo em qualquer noticiário desportivo. Esta é quase uma lei, derivado sobretudo às massas populacionais que estes clubes arrastam consigo. Segundo o livro “Futebol, Identidade e Media na Sociedade em Rede”, de todos aqueles que assumem ter preferência de um determinado clube, 49,9% são adeptos do Benfica. Segue-se o Porto com 23,2% e por último o Sporting com 21,9% de adeptos. Apenas 6% referiram ter uma preferência clubistica diferente.
Em suma, cada vez mais as notícias são consideradas um negócio, ou seja, são feitas para vender. Se o público-alvo tem estas características, os media actuam de forma a “saciar” os desejos desse mesmo público. Como em Portugal o desporto rei é o futebol, aposta-se mais nesta modalidade em detrimento das demais. De futebol toda a gente fala, todos têm opinião. Esta foi pelo menos a ideia transmitida por Paulo Pedrosa, jornalista da Sporttv, aquando da sua palestra sobre jornalismo desportivo, na Escola Superior de Educação de Portalegre.


Existe neutralidade no discurso desportivo?

A questão é antiga, gera em seu redor inúmeras discussões e não é exclusiva do jornalismo desportivo. É importante primeiro definir se o relato desportivo é (ou não) um género jornalístico, bem como definir as suas especificidades. A verdade é que aqui existe uma divergência notória de opiniões. Se há quem defenda que sim pode ser considerado um género jornalístico, há também quem inequivocamente diga que não. É então soberano saber os porquês desta divergência.
Do lado dos defensores de que o relato desportivo é um género desportivo temos Luís Sobral, director de desporto da TVI. Este afirma, sem rodeios, que para além de o relato desportivo ser um género jornalístico, este é também um dos mais complexos existentes. Tudo porque em "tempo real" o jornalista é obrigado a executar um exercício complexo de relatar o que acontece, de forma clara e sem se deixar levar pelas emoções que o próprio jogo propicia. Em suma não é permitida ao jornalista qualquer tipo de falha, de forma a não ser criticado por quem assiste à transmissão do seu relato. Segundo Luís Sobral, o jornalista deve ainda ser livre de criticar e de fazer valer a sua independência perante os factos observados.
Paulo Garcia, jornalista da SIC, partilha da opinião de Luís Sobral. O jornalista defende mesmo que deve existir uma ligação por parte do jornalista entre o rigor jornalístico e o espectáculo em si, de forma a transmitir ao público as emoções sentidas no próprio local da realização da prova/jogo. O narrador deve então durante o relato transmitir e “fazer sentir” aquilo que se está a passar, fazendo-o sempre com "um sorriso nos lábios".
Existem porém opiniões negativas em relação ao tema da discussão. Para os defensores de que um relato desportivo não deve ser considerado um género jornalístico, o problema surge quando é necessário conjugar todas as características atrás referidas num só relato. David Borges, antigo jornalista da Sic Notícias afirma que os comentadores deixam-se levar pelas emoções do espectáculo. Os jogos da selecção são exemplos flagrantes. Quando a “equipa das quinas” marca é a explosão de alegria, quer no estádio quer do próprio narrador do jogo. O sentido da palavra “neutralidade” neste contexto é então totalmente deturpado, já que o narrador demonstra claramente tomar partido de uma das partes. Além disto, estas situações podem levar a uma situação de criação de um sentimento nacionalista bastante forte, que quando levado ao exagero pode trazer consequência nefastas.
Esta visão é acompanhada por João Nuno Coelho, que chega a afirmar que este nacionalismo é por vezes considerado uma "obrigação moral", tal como nos disse Paulo Pedrosa (Sporttv), aquando da sua passagem pela Escola Superior de Educação de Portalegre. Perfeitamente alinhado no discurso de David Borges, João Nuno Coelho acredita que este sentimento pode contribuir para a construção de uma identidade política, capaz de deitar para segundo plano um qualquer problema grave. Podemos exemplificar esta ideia com um caso concreto que aconteceu na realidade. Aquando da realização do Euro 2004 em Portugal, Durão Barroso tinha em mãos uma proposta para se tornar presidente da União Europeia, cargo que chegou a aceitar. Na altura podia-se questionar (com razão) o tema da sucessão de Durão Barroso no cargo de Primeiro-Ministro português. Apesar da complexidade da questão, todo este tema foi abafado pelo decorrer do Europeu de futebol, "agravado" pela excelente campanha que Portugal foi fazendo. Todo este tema se desenvolveu quase sem discussão política ou popular. O resultado foi o que sabemos. Pedro Santana Lopes foi nomeado, por Jorge Sampaio, Primeiro-Ministro, decisão que o mesmo Jorge Sampaio viria a rectificar, convocando eleições antecipadas. Fica bem patente aqui o real poder do futebol na nossa sociedade.
O relato desportivo deve ser dividido em dois grandes tipos: o relato mais distante e o relato mais sensacionalista.
O relato definido como mais distante é caracterizado por uma linguagem mais cuidada e rigorosa, e sobretudo por uma maior sobriedade do narrador. No fundo, o narrador cinge-se a relatar aquilo que realmente se está a passar, tentando o mais possível abstrair-se do meio que o rodeia.
Quanto ao relato mais sensacionalista é caracterizado pela utilização contaste de expressões valorativas (ex: Foi um frango de todo o tamanho!!!!). Um jornalista que faça um relato deste tipo é mais seduzido a mostrar o seu próprio encanto por uma boa jogada ou por uma boa defesa (ex: É uma defesa do outro mundo!!!).
Entrando no tema da linguagem propriamente dito, o jornalismo desportivo comporta em si um tipo de linguagem bastante próprio, que noutros estilos jornalísticos seria impensável assistirmos. Termos como "espectacular", "desconcertante" ou "fantástico" são constantemente usados no jornalismo desportivo, mas seria impensável encontrá-los na avaliação, por parte de um jornalista, a um debate político, por exemplo. Nem no mais sensacionalista dos jornalismos encontramos isto.
Portanto, o jornalismo desportivo acarreta consigo uma linguagem bastante própria, que serve quase como um elemento identificativo do mesmo. Para que este factor seja explorado ao máximo, tendo como objectivo um melhor jornalismo, será importante que os órgãos de comunicação social escolham de forma criteriosa os seus comentadores. A realidade nacional, como nos demonstra David Borges, não é muito satisfatória. Grosso modo, os comentadores são ex-jogadores ou treinadores desempregados. Se estes ganham ao conhecer a modalidade por dentro, pecam na expressão das suas ideias. Um bom comentador deve aliar ao conhecimento da modalidade uma boa comunicação, para que o seu discurso seja facilmente assimilado. O modelo dado por David Borges foi José Mourinho. Conhecedor como ninguém da modalidade, alia a isso uma imagem apelativa, um discurso articulado e coerente, e uma voz bastante apelativa.

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