Ainda assim, a realidade do Clube Rugby União de Portalegre não conseguirá viver apenas do bom relacionamento entre os seus membros. Para crescer, o clube necessita de apoios, que podem ser de todo o tipo, desde financeiros a facilidades de transportes por exemplo. Porém, e como o presidente do clube referiu, "o nível de apoio por parte Câmara Municipal de Portalegre não é igual àquele dado ás outras modalidades". Esta realidade é encarada com naturalidade pelo próprio Francisco Barbaldo, que reconhece como meritório o apoio que a câmara dá ao clube : "O rugby usufrui do mesmo tipo de apoios que as outras modalidades dispões. Os valores esses, não os podendo especificar, são seguramente inferiores. Isto acontece porque somos dos clubes mais recentes de Portalegre, ao lado do clube de ténis, o que leva a que os apoios infelizmente não sejam os mesmos. Ainda assim compreendo a posição da câmara em nos dar menor subsidio que dá a clubes como o de futebol, que se calhar tem mais de 20 anos enquanto nós temos apenas dois. A câmara está um pouco na expectativa a ver se o clube desenvolve e tem futuro, para que tenha a certeza que não está a deitar dinheiro fora. Compreendo perfeitamente a posição da câmara."
Apesar de compreensível este menor nível de apoios camarários, denota-se também aqui um traço cultural português: a maior aposta no futebol. Mesmo em queda (última posição do Estrela de Portalegre no campeonato da Série E da III Divisão e o Portalegrense encontra-se a disputar os distritais) o futebol consegue angariar para si um maior nível de apoio. Criado em Inglaterra, o rugby apela ao sentido físico deixando a parte estética de lado. É a personificação daquilo que para a cultura anglo-saxónica é mais importante: a superação individual, a raça e o empenho. Numa civilização mais mediterrânica, a nossa cultura pede sempre algo mais belo. Do requinte de um tango, ao suave toque de calcanhar numa bola de futebol, para um habitante do sul da Europa isso é belo. E é a beleza que ele procura. E provavelmente é essa a beleza que o rugby não transmite ao portugueses, fazendo com que a procura pelo mesmo seja bastante diminuta.
Não se pense porém que tudo vai mal na modalidade. Bem pelo contrário. Com tudo o que os lobos conquistaram (admiração e respeito), a modalidade vem crescendo em Portugal. O passo seguinte será a profissionalização dos jogadores, de forma a que os mesmos possam estar totalmente concentrados em jogar rugby, aumentando por isso a sua produtividade. João Vaz Pinto aplaude este desenrolar dos acontecimentos, não esquecendo o passado : "Fomos a única selecção amadora a ir ao mundial. Logo isso faz de nós a melhor selecção amadora do mundo. Neste momento já há jogadores profissionais e caminha-se a bons passos para a profissionalização e semi-profissionalização dos jogadores em Portugal. É um passo importante para a selecção e para os clubes."
Manuel Santos pretende ir mais à frente ainda. O treinador do Clube Rugby União de Portalegre não limita a visão de profissionalização apenas ao jogadores. Para este conhecedor da modalidade o mais importante é providenciar esforços para que todos aqueles que estejam envolvidos na modalidade, sejam eles jogadores, treinadores ou árbitros se profissionalizem. O objectivo é melhorar a qualidade do rugby português, devendo este processo ser sustentado, ou seja desde as camadas mais jovens até aos seniores :" Como no futebol, os treinadores só podem estar à frente de determinadas equipas estando credenciados. Na altura tirei o curso de treinador de 2º grau que era o mais alto que havia cá. Fiz também dois ou três estágios em Espanha. Este ano estamos a começar com as escolas e já temos dois elementos nossos que foram fazer cursos. A nossa preocupação é dar o melhor treino para as crianças, porque por vezes pensa-se que uma criança é um adulto em ponto pequeno. E não é. Temos que ver que as crianças estão em fase de desenvolvimento e por isso têm de ser respeitados determinados patamares da evolução deles. Temos que ter cuidado para não estragar o desenvolvimento das crianças". Manuel Santos, também professor de Educação Física , sintetiza o que para si é realmente importante no desenvolvimento da modalidade afirmando que " a minha preocupação assim que peguei no rugby de Portalegre foi logo impor que assim que puderem quero gente a tirar cursos de árbitros e treinadores". Esta é uma visão mais estruturada do desenvolvimento da modalidade, assente em parâmetros seguros como a profissionalização dos intervenientes e a consciencialização de que tal é primordial para o crescimento do rugby, quer em Portalegre, quer a nível nacional.
Apesar de compreensível este menor nível de apoios camarários, denota-se também aqui um traço cultural português: a maior aposta no futebol. Mesmo em queda (última posição do Estrela de Portalegre no campeonato da Série E da III Divisão e o Portalegrense encontra-se a disputar os distritais) o futebol consegue angariar para si um maior nível de apoio. Criado em Inglaterra, o rugby apela ao sentido físico deixando a parte estética de lado. É a personificação daquilo que para a cultura anglo-saxónica é mais importante: a superação individual, a raça e o empenho. Numa civilização mais mediterrânica, a nossa cultura pede sempre algo mais belo. Do requinte de um tango, ao suave toque de calcanhar numa bola de futebol, para um habitante do sul da Europa isso é belo. E é a beleza que ele procura. E provavelmente é essa a beleza que o rugby não transmite ao portugueses, fazendo com que a procura pelo mesmo seja bastante diminuta.
Não se pense porém que tudo vai mal na modalidade. Bem pelo contrário. Com tudo o que os lobos conquistaram (admiração e respeito), a modalidade vem crescendo em Portugal. O passo seguinte será a profissionalização dos jogadores, de forma a que os mesmos possam estar totalmente concentrados em jogar rugby, aumentando por isso a sua produtividade. João Vaz Pinto aplaude este desenrolar dos acontecimentos, não esquecendo o passado : "Fomos a única selecção amadora a ir ao mundial. Logo isso faz de nós a melhor selecção amadora do mundo. Neste momento já há jogadores profissionais e caminha-se a bons passos para a profissionalização e semi-profissionalização dos jogadores em Portugal. É um passo importante para a selecção e para os clubes."
Manuel Santos pretende ir mais à frente ainda. O treinador do Clube Rugby União de Portalegre não limita a visão de profissionalização apenas ao jogadores. Para este conhecedor da modalidade o mais importante é providenciar esforços para que todos aqueles que estejam envolvidos na modalidade, sejam eles jogadores, treinadores ou árbitros se profissionalizem. O objectivo é melhorar a qualidade do rugby português, devendo este processo ser sustentado, ou seja desde as camadas mais jovens até aos seniores :" Como no futebol, os treinadores só podem estar à frente de determinadas equipas estando credenciados. Na altura tirei o curso de treinador de 2º grau que era o mais alto que havia cá. Fiz também dois ou três estágios em Espanha. Este ano estamos a começar com as escolas e já temos dois elementos nossos que foram fazer cursos. A nossa preocupação é dar o melhor treino para as crianças, porque por vezes pensa-se que uma criança é um adulto em ponto pequeno. E não é. Temos que ver que as crianças estão em fase de desenvolvimento e por isso têm de ser respeitados determinados patamares da evolução deles. Temos que ter cuidado para não estragar o desenvolvimento das crianças". Manuel Santos, também professor de Educação Física , sintetiza o que para si é realmente importante no desenvolvimento da modalidade afirmando que " a minha preocupação assim que peguei no rugby de Portalegre foi logo impor que assim que puderem quero gente a tirar cursos de árbitros e treinadores". Esta é uma visão mais estruturada do desenvolvimento da modalidade, assente em parâmetros seguros como a profissionalização dos intervenientes e a consciencialização de que tal é primordial para o crescimento do rugby, quer em Portalegre, quer a nível nacional.
O futuro é dos jovens
Costuma-se dizer que o futuro é dos jovens. O Clube Rugby União de Portalegre segue este ditado à risca. Como diz Francisco Barbaldo, o clube aposta fortemente na formação de jovens, tentando rentabilizar ao máximo os activos existentes dentro do clube: " Queremos apostar nas camadas mais jovens do clube e tentar dinamizar ao máximo as actividades ligadas ao rugby na cidade de Portalegre:". Para que tal suceda, o Francisco Barbaldo sabe que não pode "esperar sentado" que os jovens cheguem ao clube. Por isso, o clube tem já agendados alguns projectos tendo em vista mostrar a modalidade e com isso ganhar mais praticantes : " O nosso próximo projecto está agendado para meio de Fevereiro, e queremos levar o rugby ás escolas primárias e substituir as aulas de educação física por aulas de rugby. Vamos nós mais um técnico da federação e passamos ali uma manha com os miúdos todos.". Esta campanha de sensibilização que clube pretende fazer tem como objectivo mostrar o rugby ás crianças, fazendo ver que é um desporto que pode ser praticado por todos.
Actualmente a equipa de rugby da cidade de Portalegre é constituída por cerca de 60 jogadores, de diferentes faixas etárias. Francisco Barbaldo acredita que é ainda possível cativar mais gente a jogar rugby :" O rugby consegue cativar as pessoas a continuar. Repara que na época passada acabamos com cerca de 30 jogadores todos seniores, e esta época iniciamos com cerca de 60 jogadores, distribuídos desde os 9 aos 40 anos. A nossa aposta recai muito mais sobre os mais jovens.". É um aumento significativo de jogadores, tendo o clube de uma época para a outra conseguído dobrar o número de atletas nas suas fileiras.
Actualmente a equipa de rugby da cidade de Portalegre é constituída por cerca de 60 jogadores, de diferentes faixas etárias. Francisco Barbaldo acredita que é ainda possível cativar mais gente a jogar rugby :" O rugby consegue cativar as pessoas a continuar. Repara que na época passada acabamos com cerca de 30 jogadores todos seniores, e esta época iniciamos com cerca de 60 jogadores, distribuídos desde os 9 aos 40 anos. A nossa aposta recai muito mais sobre os mais jovens.". É um aumento significativo de jogadores, tendo o clube de uma época para a outra conseguído dobrar o número de atletas nas suas fileiras.
Realidade competitiva muito limitada
Como qualquer instituição desportiva, o Clube Rugby União de Portalegre compete contra outras equipas. Ainda assim, assistimos a uma desoladora realidade quando procuramos competições a nível regional: simplesmente não existem. Esta realidade foi confirmada por Francisco Barbaldo, que ainda assim congratula-se pelo facto de ter todas as equipas do clube em competição. E se elas não existem no distrito de Portalegre a equipa não fica parada por isso. Aproveita todas as oportunidades que surgem, e participa em diversos torneios espalhados por todo o país :" Até aos 12-14 anos fazem os convívios nacionais, ou seja quando a selecção vai jogar na parte da manha os miúdos entram em convívio com os outros miúdos. É um mini-torneio. Depois, os sub-16, sub-18 e sub-20 ja estao a competir no rugby de 8, que é um campeonato nacional dividido em duas zonas: zona sul e zona norte, que depois no fim se juntam para uma final nacional. Os seniores fazem os torneios da federação e do comité de rugby de Coimbra. É o normal.".
Manuel Santos confirma esta realidade. O rugby está ainda numa fase embrionária a nível regional o que faz com que as competições ainda não existam, como acontece por exemplo com o futebol, onde existe uma divisão distrital destinada apenas a equipas dessa região. Segundo o treinador da equipa portalegrense " a nível local estamos a começar. Somos um bebé ainda.". Num tom mais critico, Manuel Santos afirma também que o rugby nesta realidade nunca conseguirá níveis de desenvolvimento notórios :" Nós aqui não temos campos para treinar sequer! Se houver mais espaços verdes e bolas aí garanto que os miúdos começam a praticar rugby. E se houver mais uma prova do nível do mundial, o rugby irá começar a entrar na cultura geral do povo português. O problema é que os principais clubes portugueses ainda continuam a pensar que o rugby é apenas um desporto universitário, porque a elite do rugby português está nas Universidade. Temos a Agronomia, o Técnico, o Direito... ". Isto, conjugado com a realidade cultural portuguesa leva Manuel Santos a afirmar que o rugby "nunca conseguirá ser o desporto de eleição em Portugal. Quando vemos miúdos na rua vemos que eles têm uma bola de futebol na mão, logo o futuro será do futebol. Esta é uma realidade difícil de inverter."
O Clube Rugby União de Portalegre continua assim a sua caminhada. Uma equipa que faz da união e espírito grupo palavras de ordem. A realidade desportiva actual não lhes é muito agradável, mas apenas o futuro dirá se este poderá vir a ser um caso de sucesso em Portalegre e em Portugal.
Manuel Santos confirma esta realidade. O rugby está ainda numa fase embrionária a nível regional o que faz com que as competições ainda não existam, como acontece por exemplo com o futebol, onde existe uma divisão distrital destinada apenas a equipas dessa região. Segundo o treinador da equipa portalegrense " a nível local estamos a começar. Somos um bebé ainda.". Num tom mais critico, Manuel Santos afirma também que o rugby nesta realidade nunca conseguirá níveis de desenvolvimento notórios :" Nós aqui não temos campos para treinar sequer! Se houver mais espaços verdes e bolas aí garanto que os miúdos começam a praticar rugby. E se houver mais uma prova do nível do mundial, o rugby irá começar a entrar na cultura geral do povo português. O problema é que os principais clubes portugueses ainda continuam a pensar que o rugby é apenas um desporto universitário, porque a elite do rugby português está nas Universidade. Temos a Agronomia, o Técnico, o Direito... ". Isto, conjugado com a realidade cultural portuguesa leva Manuel Santos a afirmar que o rugby "nunca conseguirá ser o desporto de eleição em Portugal. Quando vemos miúdos na rua vemos que eles têm uma bola de futebol na mão, logo o futuro será do futebol. Esta é uma realidade difícil de inverter."
O Clube Rugby União de Portalegre continua assim a sua caminhada. Uma equipa que faz da união e espírito grupo palavras de ordem. A realidade desportiva actual não lhes é muito agradável, mas apenas o futuro dirá se este poderá vir a ser um caso de sucesso em Portalegre e em Portugal.
