Surpresas de Natal na Liga Sagres

O final do ano trouxe a primeira surpresa do campeonato: quinze anos depois, o S. L. Benfica é lider na paragem natalícia. Pode parecer uma distinção com pouco significado, mas a verdade é que da última vez que a equipa da Luz conseguiu este feito acabou a temporada como campeã nacional.
Apesar da liderança, os encarnados têm mostrado durante os primeiros meses de competição uma enorme irregularidade, conciliando boas exibições e resultados a condizer, com jogos muito pouco conseguidos. Eliminado da Taça UEFA e da Taça de Portugal, o S. L. Benfica aposta tudo no título nacional, mas o afastamente precoce nas competições já referidas pode pesar no orgulho e motivação dos jogadores. Um problema para Quique resolver.
No segundo posto surgem duas equipas vizinhas. O Leixões, a revelação do campeonato, e o F. C. Porto, detentor do título de campeão nacional. Os dois emblemas têm seguido trajectos bem distintos.
Os "bébés" de Matosinhos entraram no campeonato a "todo o gás", conseguindo, entre outras proezas, vencer no Dragão e em Alvalade. Nas últimas partidas têm perdido um pouco este ritmo vitorios, mas vão aproveitando os deslizes alheios para se manterem no topo da classificação.
Já o F. C. Porto, surge neste momento de época em franca melhoria. Depois de um início de época atribulado, a equipa de Jesualdo Ferreira encarrilhou para uma série de dez jogos consecutivos sem perder (nove vitórias e um empate). Está ainda envolvido em todas as competições oficiais, o que torna 2009 um ano de grande expectativa para as bandas do Dragão.
Em quarto classificado aparece o Sporting. Os leões prometeram muito na pré-época e início de temporada, mas perderam alguma força com o desenrolar das competições. Muita da explicação para este fenómeno assenta nas já habituais atitudes menos profissionais de alguns dos jovens leoninos, factor que prejudica directamente o seu rendimento pessoal, e por conseguinte o da própria equipa.
Ainda assim, Paulo Bento conseguiu já o feito de qualificar a equipa leonina, pela primeira vez na história do clube, para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
No restante do campeonato nacional, destaque pela positiva para as equipas da Madeira. O Nacional, novamente sob a batuta de Manuel Machado, parece lançado para mais uma presença nas competições europeias, enquanto que o Marítimo segue pelo mesmo caminho.
Pela negativa, dois históricos do futebol português: Vitória de Guimarães e Belenenses.
A equipa da "cidade-berço" está ainda a pagar, com juros, a fugaz participação nas competições europeias, bem como o mau planeamento para a época que agora se desenrola. Já os azuis de belém sofrem pelos erros de "casting" cometidos na pré-temporada. O sotaque açucarado de treinador e reforços não foram suficientes para garantirem vitórias à turma do Restelo, tendo sido chamado Jaime Pacheco para tentar dar à volta à situação.

Sorteio amigo para portugueses

O sorteio, realizado esta manhã em Nyon, Suíça, revelou-se simpático para as equipas nacionais. F. C. Porto, Sporting e Sporting de Braga irão defrontar Atlético de Madrid, Bayern de Munique e Standard Liége, respectivamente. O cenário poderia ser mais sombrio para qualquer um dos representantes nacionais ainda em prova.
No caso dos dragões, Jesualdo Ferreira pode respirar de alívio por não reencontrar o Chelsea, evitar Mourinho e o seu Inter, e passar ao lado do Real Madrid. O sorteio ditou uma viagem à capital espanhola, na teoria, mais acessível. O Atético de Madrid não tem o historial e a mística merengue, mas possui sem dúvida um plantel ao nível das formações mais fortes do velho continente. A favor do F. C. Porto joga o estilo de jogo dos "colchoneros", muito idêntico àquele praticado pelos campeões nacionais. Há ainda a realçar o reencontro de Paulo Assunção, Maniche e Simão com o futebol português, o que não deixa de ser mais um factor de interesse em redor da eliminatória. Quanto à principal estrela do Atlético, existem poucas dúvidas em nomear para esse cargo "Kun" Aguero, o astro argentino.
Quanto ao Sporting vai encontrar o campeão alemão, Bayern de Munique. Apesar da dificuldade expectável da eliminatória, o que é certo é que os leões evitam o Manchester United, a equipa mais forte do grupo dos primeiros classificados.
A equipa bávara tem vindo a subir de forma, no campeonato e na Europa, depois de um início de época atribulado, em que Jurgen Klinsman foi muito críticado. A antiga glória germânica manteve-se firme no comando do Bayern, e a equipa alemã começou a estabilizar os seus resultados. Actualmente, é já líder da Bundesliga (em igualdade pontual com o Hoffenheim), e acabou em primeiro lugar no grupo F da liga milionária.
Os leões podem aproveitar a passividade defensiva bávara (já com 24 golos sofridos no campeonato alemão), mas terá de ter muito cuidado com o poder atacante do campeão germânico. Ribery, Luca Toni, Miroslav Klose e Schweinsteiger compõem uma linha ofensiva fortíssima, capaz, num dia de inspiração, de aniquilar qualquer adversário.
Por último, mas não menos importante, o Sporting de Braga, de Jorge Jesus, vai defrontar o campeão belga Standard de Liége, orientado pelo romeno Lazlo Boloni, que já passou, com relativo sucesso, pelo Sporting. Os bracarenses evitam assim Hamburgo e Manchester City, podendo olhar com mais optimismo para o futuro na prova.
Ainda assim, convém lembrar que os belgas fizeram a vida negra ao Liverpool na terceira eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, e eliminaram o Everton na ronda de acesso à Taça UEFA. A isto devemos acrescentar o primeiro lugar belga, num grupo que contava com equipas como Estugarda, Sevilla ou Sampdória.
A turma de Boloni apresenta nos seus quadros vários jogadores de qualidade, com destaque para Wilfried Dalmat, Igor de Camargo e Steven Defour. Como curiosidade, o irmão de Káka (AC Milan) actua na formção belga. Chama-se Digão, é defesa-central e está a milhas de distância da qualidade do irmão. Não será por este brasileiro que o Braga terá pesadelos na próxima eliminatória europeia.

Que Benfica?

Terminou uma semana desportiva verdadeiramente negra para o Benfica. À eliminação da Taça de Portugal, aos pés do Leixões, a equipa da Luz juntou o afastamento da Taça UEFA, cenário esse que já se adivinhava.
Os oito golos que as águias necessitavam redondaram num castigador zero, fruto do mau desempenho encarnado.
Curiosamente, esta semana aterradora para os comandados de Quique Flores foi antecedida pela goleada na Madeira, por 0-6, frente ao Marítimo. À data, a equipa insular cotava-se como uma das melhores defesas da prova, e marcar meia dúzia nessa partida foi algo extraordinário.
Contudo, houve esse grande senão do guarda-redes maritimista ter sido expulso logo no início da partida, o que despoletou a goleada encarnada. Sem a sua principal referência defensiva de algumas épocas para cá, Lori Sandri viu o Maritimo sucumbir frente ao Benfica, numa partida de excepção para as duas formações.
Após a goleada, parecia que tudo estava em ritmo de cruzeiro rumo ao título português para os encarnados. Moreira era o heróis nas redes e David Luiz uma certeza à esquerda da defesa. Em suma, os problemas defensivos de Quique Flores pareciam, de um dia para o outro, resolvidos. Puro engano.
É que, se em Matosinhos a equipa só sofreu de grande penalidade, já frente ao Metalist ficaram expostas todas as debilidades do sector mais recuado do conjunto da Luz. Basta atentar-mos ao lance do golo dos ucranianos. No lance, é notória a total desorientação de David Luiz, que abandona o lado esquerdo benfiquista para se juntar aos elementos mais centrais. Esta deslocação irreflectida do brasileiro permitiu que Devic isolasse Rykun, que sem problemas fez o úncio golo do encontro. Se a este erro primário juntarmos as exibições de alguns dos jogadores do Benfica nesta última jornada da Taça UEFA, a pouca atitude competitiva e a notória falta de confiança que Quique Flores tem em relação a alguns dos seus pupilos (ex:Quim, Cardozo ou Léo), podemos concluir que afinal o Benfica não é o "papão" que aparentou no "caldeirão" dos Barreiros. Mas não se iluda também, quem pense que os encarnados são assim tão débeis quanto o mostraram frente ao Metalist.
Em suma, é uma equipa em crescimento, que demonstra sérios problemas de adaptação às ideias do seu treinador.

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