Mérito?

Portugal acaba mais uma participação num campeonato da europa, na categoria de sub-21, de forma desastrosa. Como tem sido habitual nos últimos anos, a selecção lusa não conseguiu novamente atingir os objectivos mínimos exigiveis, no caso o apuramento para os Jogos Olímpicos de Pequim, a realizarem-se no próximo ano.
Depois do desastre que foi o Euro 2006, realizado em Portugal, pensava-se que a Federação Portuguesa de Futebol iria tomar medidas fortes, eficazes e sobretudo sensatas.
A demissão do professor Agostinho Oliveira era já esperada. Os resultados ditam as regras, e como a classificação final foi desastrosa, a demissão foi por muitos considerada "natural".
A especulação em redor da nomeação do novo selecionador sub-21 foi muita. Muitos nomes surgiram, uns mais óbvios que outros, mas todos ele com um passado rico que "falava" por eles. Começam aqui os rumores de que José Couceiro, na altura ainda treinador do Belenenses, estaria numa posição bastante confortável para conseguir o cargo. Para ser franco, praticamente ignorei essas notícias, pensando tratarem-se apenas de meras especulações sem qualquer tipo de fundamento.
Qual o meu espanto quando, meses mais tarde, é anunciado como novo selecionador sub-21 português José Couceiro. E questionei-me a mim mesmo:" Com que mérito? Qual o maior marco da carreira deste treinador? Que currículo terá apresentado para ser escolhido como selecionador nacional de sub-21?". Fui então á procura de respostas.
José Couceiro iniciou a sua carreira de treinador principal de futebol no Alverca, tendo antes prestado serviços no Sporting Clube Portugal como dirigente da SAD.
Na equipa ribatejana, conseguiu o feito de subir de divisão, atingindo deste modo a, na altura, Superliga. Parecia ser o início de uma carreira de sucesso para José Couceiro. O que é certo é que este aparente sucesso foi efémero. Na época seguinte, o técnico desceu o mesmo Alverca que tinha subido na época transacta. Nada de escandaloso, é certo, mas um claro exemplo do primeiro desaire da carreira. De seguida, seguiu até Setubal, onde orientou o Vitória local. Aqui, em meia época consegue deixar o clube sadino numa posição tranquila na tabela, tendo o seu trabalho sido extremamente elogiado pela crítica. Sai a meio da época, ingressando no Futebol Clube do Porto. Parecia ser a afirmação de José Couceiro no futebol nacional, visto ter conseguido o feito de ter chegado a um dos maiores clubes nacionais em apenas duas épocas e meia de carreira. O que é certo é que, feitas as contas finais, o título fugiu para a Luz e a Taça de Portugal para o Vitória de Setubal, equipa que orientou na primeira metade dessa época. Sai, dando o seu lugar ao holandês Co Adreanse. Na época seguinte aceita o convite do Belenenses, substituindo Augusto Inácio. O resto de campeonato não corre como esperado, e o histórico Belenenses cai para a Liga de Honra. Foram tempos atribulados os que se seguiram a este acontecimento, estando o nome de José Couceiro associado ao mesmo. A demissão foi inevitável. Apesar de a equipa de Belém ter conseguido fugir á despromoção na secretaria, fica na memória a paupérrima imagem dada pela mesma nessa época.
Depois de tudo isto, parecia óbvio que José Couceiro, depois de duas descidas e de um falhanço no Futebol Clube do Porto, seria para qualquer equipa uma aposta arriscada. Só que nem tudo o que parece realmente é, e como "recompensa" das "brilhantes" prestações anteriores, José Couceiro é convidado para dirigir, não só a selecção sub-21 portuguesa, como também a selecção sub-20, que inicia neste mês de Julho a sua participação no campeonato do mundo da categoria. A responsabilidade era enorme, e o seleccionador Couceiro sempre a aceitou.
Desportivamente, a qualificação foi como toda a gente sabe sofrida, mas conseguida. O campeonato da Europa, em si, foi desastroso.
O que está mal? O que pode ser mudado? É esta a estratégia mais apropriada a seguir?
Na realidade sou um defensor da continuidade de um trabalho, ou seja, ser iniciado e concluido pela mesma pessoa. Como tal não ponho em causa o facto de ser José Couceiro a dirigir a selecção sub-20 no Canadá. O problema é que a paciência está a esgotar-se e mais um desaire pode ser fatal.
Também o processo de escolha de um seleccionador deveria, na minha opinião, ser baseado em algo mais concreto, como trabalhos anteriores com jovens, número de títulos obtidos, entre outros. Se tal acontece-se, nunca o senhor José Couceiro seria eleito para este cargo. É que com a actual forma de eleição, qualquer outro treinador pode reivindicar uma oportunidade. Se compararmos o currículo de José Couceiro com o de, por exemplo, Jorge Jesus, Jaime Pacheco ou Nelo Vingada, vemos que os últimos apresentam carreiras mais recheadas de sucessos do que a de José Couceiro.
Resumindo, José Couceiro conta no seu currículo uma subida de divisão. Não sendo desprestigiante, é manifestamente pouco para um seleccionador nacional. E se a isto acrescentarmos as campanhas menos conseguidas ao serviço do Futebol Clube do Porto e Belenenses, constatamos que sucesso de José Couceiro no futebol português, enquanto treinador principal, é extremamente diminuto. A prestação no campeonato da europa de sub-21 é apenas mais um exemplo.
Como tal, qual o nível de mérito de José Couceiro nesta nomeação? Na minha opinião é diminuto, mas lá está, é apenas uma opinião..

Comments

1 Response to "Mérito?"

Anónimo disse... 2 de julho de 2007 às 11:55

Diria que raramente, nestas coisas do desporto, te falta a razão. Mais uma vez falas e falas bem. Lembras-me o Luís Freitas Lobo!

Em jeito de empurrão nas costas, espero que continues a escrever, pois apesar de nem sempre haver tempo ou mesmo paciência para comentar, há sempre para ler o que escreves.

Abraço!

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