Projecto Queiroz: Parte II

Findo o ciclo Scolari, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) parece querer voltar às origens e contratar o mentor dos dois títulos mundiais de sub-20 conquistados por Portugal em 1989 e 1991.
Carlos Queiroz pode assim regressar à selecção nacional pela porta grande.
Ainda assim, esta escolha (como todas as decisões) não é consensual. É inteiramente verdade que Carlos Queiroz arquitectou aquela que foi conhecida como a "Geração de Ouro" do futebol português. Jogadores como Luís Figo, Rui Costa, Vitor Baía ou Paulo Sousa têm como ponto comum o nome de Queiroz, que os lançou para o "estrelato" internacional.
O ponte forte de Queiroz é sem dúvida este: conseguir envolver de forma efectiva todas as equipas nacionais, dos mais jovens aos AA. O "projecto Queiroz" foi o primeiro a pensar a realidade das selecções nacionais, e muitos analistas entendem que a saída do treinador português fez este processo regredir de forma significativa. É também verdade que uma das lacunas de Scolari durante a sua passagem por Portugal foi essa mesmo: de certa forma negligenciou o desenvolvimento das selecções mais jovens. Como resultado disso, é notória a crescente ausência das nossas selecções jovens em fases finais das competições internacionais, coisa que há bem pouco tempo atrás não acontecia. Convém aqui não confundir acompanhamento das selecções jovens com aposta em jovens jogadores portugueses. Scolari lançou inúmeros jovens na selecção das quinas, como Nani, Ronaldo, Raúl Meireles, João Moutinho ou Miguel Veloso. Agora, é também verdade que raramente Scolari abordava temas "extra selecção AA", o que demonstra uma certa ausência do "Sargentão" neste aspecto.
É aqui que Carlos Queiroz pode voltar a fazer a diferença. No planeamento do futuro do futebol nacional. Na estruturação do futebol português desde a sua base.
Ainda assim, nem tudo são aspectos positivos nesta provável escolha. Ao longo da sua carreira, Carlos Queiroz acumulou algumas experiência menos conseguídas, sempre que ocupou o cargo de treinador principal, nomeadamente no Sporting e no Real Madrid. Por diversos motivos, Queiroz não triunfou como treinador principal, factor esse muito relevante aqui. É certo que é Carlos Queiroz quem coordena e dirige os treinos do Manchester United, vencedor da Liga Inglesa e da Liga dos Campeões. Porém, um treinador é muito mais que um estratega do treino. É alguém que lida com a pressão de decidir, de preferência "rápido e bem". É alguém que, ao longo das competições onde está inserido, tem de saber adaptar-se às situações com que se depara. E aqui Scolari era um mestre.
Ainda assim, sou forçado a concordar com o comentador Luís Freitas Lobo: Portugal precisa de alguém que consiga (re)estruturar o seu futebol. Mais do que resultados imediatos, precisamos de precaver os resultados vindouros.
Com a saída de Scolari e a entrada de Queiroz, Portugal dará uma volta de 180º na sua política desportiva. Eu penso que é uma reforma necessária, tendo a FPF que reflectir bem sobre os prós e os contras desta decisão.

Comments

1 Response to "Projecto Queiroz: Parte II"

amarobica disse... 8 de julho de 2008 às 13:31

Grande post!

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